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Carta aberta a você – que nem chegou a vida para sequer entender sobre cartas ou alfabetização. A você que não teve oportunidade de rabiscar minhas coisas, minhas paredes e bagunçar a minha vida.

A você que não sei depois de quantos dias fez meu coração transbordar e somente planejar a vida com sua companhia dali em diante.

Ao rostinho que imaginei dia após dia – não sei se teria sobrancelhas bem delineadas, se teria muito ou pouco cabelo. Seria curiosa, silenciosa ou tudo isso e muito amorosa.


Se eu acordaria muitas vezes durante a noite e você transbordaria o coração de muita gente que também estava à sua espera.


Você que passou a ser minha confidente e companhia de todas as horas. A você que nunca deixou de fazer parte do meu corpo, minha alma e lembranças.


E para mim, que após sua ida sem ao menos ter chegado me fez perder tudo isso que um dia criei, esperei e desejei.


No mesmo instante tudo foi embora sem explicações.  Por aqui restou vazio e nada além disso.

“A Morte de um feto é a morte de um sonho”.
(Torloni, 2007. p.297)